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O que posso eu ler que seja orientadaor para uma vida familiar harmoniosa?


 Recentemente perguntaram-me isto: "o que posso eu ler que me oriente? é que às vezes não tenho paciência e expludo e até já dei uma palmada à minha filha".

Fiquei alguns dias a pensar e concluí que há textos a mais, coisas para ler a mais e experiência pratica a menos. Passar muitas horas  a ler muitos livros não nos vai tornar melhores pais, não vai tornar a nossa vida familiar mais harmoniosa, pelo contrário, vai-nos tirar mais tempo para brincar com os nossos filhos, vai-nos encher de exemplos perfeitos do que deveria ser e que nos afastam cada vez mais do que somos e aumenta a frustração da mãe que, tendo dado a palmada, se fica a sentir péssima quando comparada com todas aquelas teorias. Então, o que fazer?

Eu costumo responder  algo nesta linha: "não leias nada, passa o máximo de tempo possível com a tua filha e diz-lhe sempre que sim. Quando Não for possível dizer que sim, dá-lhe uma alternativa alegre e continua lá para ela, com ela".

E recebo quase sempre como resposta uma variante de "mas ela/ele consegue enlouquecer-me" "leva-me ao limite", "consegue por-me a cabeça em água em 3 minutos", "eu já percebi que, com ela/ele, as coisas não vão à força porque ela ganha sempre"... (suspiro...) quando as relações pais/ filhos chegam a este ponto costuma ser porque há na família uma relação adversarial, uma relação de poder, um jogo de poder em que se tenta sempre ver quem vai ganhar.

Para mim, a compreensão e experimentação do estado de espírito, verbalizações e acções que nos ajudam a viver como uma equipa demoraram um par de anos. Ando há dois anos a tentar ser essa pessoa que promove o diálogo, que é proactiva de forma a garantir que a família está em harmonia, que antecipa as necessidades de todos, incluindo as suas... tem sido um caminho lento mas compensador.

Às vezes até me sinto um pouco idiota pois viver em alegria, harmonia e parceria com o meu marido, filhos, pais, amigos, familiares próximos deveria ser algo que sabemos desde crianças, sem necessidade de aprender nada. Infelizmente, não foi isso que aconteceu comigo e não é isso que vejo acontecer na grande maioria das famílias à minha volta, independentemente da idade dos seus membros.

A maioria das aprendizagens que fiz nesta área, advieram de leituras ou através de testemunhos directos de pais, mães, mulheres - portugueses/as e estrangeiros/as - com as quais comunico via facebook e yahoo groups, ou através de textos, muitos deles disponibilizados on-line. Poucas foram as interacções directas, mesmo em contexto terapêutico, em que predominasse a o foco na alegria, no amor, no companheirismo e harmonia que fosse capaz de envolver toda a família.

Foram leituras feitas no contexto do unschooling mas creio que para quem procura formas mais harmoniosas de estar em família, mesmo tendo as crianças na escola, é fácil ler os textos e aplicar o possível à sua realidade.

A ideia de que podemos ser companheiros dos nossos filhos em vez de ser seus adversários é muito revolucionária e está bem explanada aqui http://sandradodd.com/partners/child. Se tiverem abertura de espírito suficiente, verão formas de aplicar os princípios descritos no link anterior a todas as pessoas com quem se relacionam. Não estou a dizer que é fácil ou que eu tenho a mestria da coisa, estou só a dizer que é possível.

A ideia de que podemos ser parceiros dos nossos filhos leva-nos a questionar ideias feitas como a de que "para sermos pais não podemos ser amigos", "não se pode dizer sempre que sim", "as crianças necessitam de limites", "se eu deixar ele faz de mim gato sapato", "tenho que me impor porque sou mãe/pai", " ser mãe/ pai é muito difícil"... e tantas outras. Há milhares de frases feitas e expressões idiomáticas que utilizamos e que moldam a nossa forma de viver em família. Nem nos apercebemos pois utiliza-mo-las de forma acrítica. Um dia podemos fazer uma lista de expressões em português, enquanto esse dia não chega, aqui fica uma lista de expressões anglófonas http://sandradodd.com/phrases repara em quantas delas utilizas e como todas elas são depreciativas e humilhantes para os teus filhos. Estará na hora de mudares a tua vida e a relação com os teus filhos, marido, familiares e amigos começando por mudar a forma como te referes a eles?

Ser amiga do meu filho é não só possível como desejável, eu podia escrever muito sobre isso mas deixo apenas um link que podem vocês mesmas/os ler e utilizar como ponto de partida para a descoberta: http://sandradodd.com/friend

Pelo que tenho vindo a perceber, famílias muito centradas nas necessidades das crianças tendem a ter relações de casal desarmoniosas. Não será por acaso que as taxas de divórcio entre casais que aplicam os princípios AP e CC são elevadíssimas. Não sei se já repararam mas mesmo os gurus do AP são divorciados.

Pelo contrário, as famílias muito centradas na construção de relações harmoniosas entre o casal, parecem não aplicar os mesmos princípios aos filhos com os quais desenvolvem relações de "tu ou eu" e, muitas vezes "nós e tu" com noções de "tempo para mim e tempo para tí", "tempo para nós (pais) contigo de fora", "já te dei atenção durante X tempo, agora é a minha vez".

Parece que não é só em minha casa que o equilíbrio é um work in progress.

Se os links que forneci acima parecem muito complexos, tenta o www.enjoyparenting.com/dailygroove chega por mail é simples, conciso e ajuda-nos a reflectir, por é disso que se trata não é? ter material que nos ajude a reflectir sobre as nossas práticas é do que necessitamos.


Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

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