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Cólicas é algo que um bebé faz e não algo que um bebé tem

Em todo o mundo há famílias que procuram alternativas às estratégias ocidentais de cuidados à primeira infância. Um dos nossos textos - Materna Japão: Eu não queria ter um filho e não queria ser mãe foi parar ao Japão e a resposta de agradecimento, que enviei à autora do blog, acabou por se transformar no post se que segue.

Olá,

obrigada por partilharem o meu texto. Deste lado do mundo (Portugal) andamos a tentar fazer escolhas conscientes mas nem sempre é fácil.

A noite passada estava a ler no our babies, ourselves - how biology and culture shape the way we parent), que a personalidade do ser humano pouco tem de genético e que é quase impossível de provar cientificamente declarações como "o meu filho sempre foi calmo já nasceu assim" ou "o meu filho desde que nasceu que é nervoso, já é dele".

Segundo a antropóloga (baseada em estudos etnopediátricos) os bebés, desde que nascem respondem ao ambiente que os rodeia e aos ritmos, personalidade, ideologia e forma de ver o mundo de quem cuida deles. Um bebé, desde que nasce regula os seus movimentos corporais pela cadência da voz das pessoas que cuidam dele. Isto aplica-se a quando a pessoa que cuida fala com o bebé ou quando fala com outras pessoas. Já imaginaram o efeito que a nossa voz tem? Se formos mães nervosas, inseguras etc... isso passa no tom de voz e é de esperar que o bebé se mova com mais nervosismo e grite mais do que uma criança cujos pais (ou outros cuidadores) são calmos e doces. Se tivermos tendência para estar nervosas, frustradas, deprimidas, o nosso filho vai senti-lo através, não só da voz, mas do batimento cardíaco, das expressões faciais, do olhar.

Um bebé de poucas semanas já é perito na leitura dos sinais não verbais dos seus cuidadores e molda o seu comportamento aos mesmos.

Se o nosso bebé chora muito, deve-mo-nos perguntar, em primeiro lugar, o que está errado connosco porque, seguramente, ele está a reagir a algo que sentiu em nós ou a algo que não estamos a fazer. Os estudos comprovam isto, não é a fome, a fralda molhada, a febre ou qualquer outra questão física a principal causa do choro de um bebé mas sim a frustração, o sentimento de abandono, a dificuldade em estabelecer um vínculo seguro com o seu cuidador principal.

Atenção que a percepção que um bebé tem de abandono é radicalmente diferente da nossa. Lembras-te de todas as vezes que deixaste o teu bebé a chorar no berço, na cadeirinha, no ovo, no parque nos braços da tia, da avó, da vizinha e que pensaste que ele chorava de "birra" porque já tinha comido, a fralda estava limpa e o aero-om já estva a fazer efeito para as cólicas? Não era birra, não era manipulação, era choro de frustração por sentimento de abandono, que rapidamente passa a choro de dor - devido ao ar engolido e consequentes dores de barriga - e que termina com o bebé a dormir, não porque é "um lindo menino e parou a birra" mas porque o seu imaturo sistema nervoso não consegue lidar com o cortisol libertado durante o choro e, para se proteger, desliga-se. Este sono induzido pelo choro não é profundo nem relaxante para o bebé. Os pais preocupam-se muito com as consequências da febre para o cérebro - que não são nenhuma em febres até 40º - e tão pouco ou nada com as consequências do choro tanto para o cérebro como para a construção da personalidade dos seus filhos.

Um bebé doente mas que se sente seguro no colo de um cuidador com quem tem um vínculo forte, mantém-se calmo e não chora.

Na obra referida são citados estudos em que os bebés foram deliberadamente ficados para ver como reagiam à dor e as conclusões são cabais, que faz um bebé entrar em stress não é a dor per si mas sim o facto de estar ou não seguro nos braços de pessoas com quem tem uma vinculação forte e que estão tranquilas.

Para rematar, diz ainda a autora que cólicas é algo que um bebé faz e não algo que um bebé tem. Salvo casos muito raros de intolerância alimentar e/ou problemas digestivos, um bebé engole ar quando chora e fica com cólicas. Nós tendemos a pensar que são as cólicas que os fazem chorar. Sabendo agora que somos nós, com o nosso nervosismo e ausências os principais causadores do choro dos nossos bebés.... fico realmente com muito que digerir ....

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4 comments:

  1. Muito interessante o teu post. É importante centrar a análise em nós e na origem do problema e não apenas no sintoma, o choro do bebé.

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  3. Olá Carlitos,

    falando e analisar o origem do problema

    :: Children ALWAYS Cooperate ::

    Parents often feel frustrated when their children
    don't "cooperate" -- when they don't go along with the
    parents' stated intentions.

    Today, no matter how your child behaves, take the
    perspective that your child is *always* cooperating
    with you -- if not behaviorally then *vibrationally*.
    Children sense their parents' "vibes" and reflect back
    a similar vibration, often exaggerated in their
    behavior.

    For example, if your child is impatient, ask
    yourself how s/he might be "cooperating" with
    you vibrationally. "In what way(s) have *I* been
    emanating an impatient vibe?"

    If your child is resistant, ask yourself, "Am *I*
    being resistant in some way?" Look beyond the
    obvious and *feel* for an answer.

    Fortunately, it works both ways, so that when you're
    feeling joyful, your child will "cooperate" with that,
    too. But depending on your established patterns of
    interaction, it may take some time for your child's
    *behavior* to reflect your positive vibration.

    In the meantime, you can be enjoying Well-Being
    *unconditionally*. :-)

    http://dailygroove.net/cooperation

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    Copyright (c) 2010 by Scott Noelle
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  4. Interessante este excerto. Apesar de eu ser uma mãe tranquila o meu bebé tinha ou fazia muitas cólicas. Com a ajuda do Aero-OM e muito carinho as cólicas acabaram por desaparecer.

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